quarta-feira, 12 de junho de 2013

A nova Universidade do século 21!(Vencerás pela Ciência)



A tradição da USP iniciou-se há quase 200 anos, se considerarmos a fundação das escolas preexistentes, como a Faculdade de Direito, a Escola Politécnica e a Faculdade de Medicina, ou 80 anos, se levarmos em conta a fundação da Universidade. Assim, graças à sua juventude, se comparada às instituições de ensino superior europeias, por exemplo, a USP possui grande potencialidade, cujo desabrochar necessita ser incentivado.

A vocação internacional e a internacionalização permeiam a história da Universidade. Exemplificativamente, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a Esalq, nasceu da experiência internacional do agrônomo e fazendeiro Luiz Vicente de Souza Queiroz. Nascido em 1849, Queiroz formou-se em Agronomia na França e na Suíça. De volta ao Brasil, deparou-se com o atraso das práticas agrícolas nacionais e entendeu ser de fundamental importância a divulgação das mais avançadas técnicas e práticas agrícolas à população, dando início à concepção da Esalq.

Do mesmo modo, a então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) teve grande impulso inicial, quando de sua criação, graças à vinda das missões estrangeiras. Em 1934, na recém-criada Universidade, dezenas de professores estrangeiros – franceses, italianos e alemães, em sua maioria – foram contratados para implementar estudos de ciências básicas e humanidades, nos quais o País ainda não tinha tradição.

A missão francesa encarregou-se, principalmente, das ciências humanas – filosofia, história, geografia, antropologia e sociologia. Aos alemães coube a cátedra de química, enquanto aos italianos, as ciências exatas – física e matemática. A esse corpo docente internacional incumbiu-se a responsabilidade de formar os primeiros pesquisadores brasileiros, transmitindo-lhes os fundamentos do rigor científico sobre o qual se erige todo o conhecimento. O registro que consta no brasão da Universidade, Scientia vinces, “Vencerás pela ciência”, expressa este que pode ser considerado um de seus principais pilares.

Além disso, as missões estrangeiras deflagraram uma efervescência cultural ímpar, que transformaria a USP em uma das mais importantes universidades do Brasil e da América Latina.

O movimento de internacionalização na USP, já com esse nome, data de pouco mais de uma década, tendo aumentado significativamente nos três últimos anos. O resultado desse processo pode ser traduzido pela alta visibilidade, nacional e internacional, bem como índices inéditos conquistados nos mais variados rankings internacionais de universidades. No mais recente deles, o 2013 World Reputation Ranking, elaborado pelo Times Higher Education, a USP foi a única universidade brasileira e latino-americana a figurar entre as cem melhores do mundo. No Performance Ranking of Scientific Papers for World Universities 2012, elaborado pelo National Taiwan University Ranking (NTU Ranking), a USP subiu 25 posições em relação a 2011, passando da 78ª para a 53ª posição em 2012.

Para aproveitar tal visibilidade e fazer com que a USP alcance um novo patamar de internacionalização, tornou-se necessário que a Universidade se localizasse fisicamente em regiões estratégicas do globo, que servissem para alavancar sua participação e parcerias efetivas com universidades de ponta em todo o mundo. Isso se dará, essencialmente, pelo incremento de sua participação em pesquisas internacionais, de forma institucional e não somente por ligações pessoais, como ocorre na maioria dos casos; no ensino, com o fomento a ações voltadas ao duplo diploma em graduação e à cotutela em pós-graduação; e na extensão de serviços à comunidade, além da divulgação da imagem USP em todos os centros mundiais relevantes.

Os núcleos internacionais, instalados nas cidades de São Paulo, Boston, Londres e Cingapura, são representações diplomáticas que dinamizarão ações em três instâncias: as existentes há tempos, como, por exemplo, os convênios internacionais (atualmente, são mais de 690 convênios vigentes) e cátedras internacionais; as ações recentes, como o Programa de Bolsas de Intercâmbio Internacional para Alunos de Graduação; e as novas ações, como o programa de bolsas para professores visitantes internacionais, que poderão atuar nas unidades e órgãos, e o Programa de Incentivo e Apoio à Capacitação dos Servidores Técnicos e Administrativos da USP no Exterior.

Ademais dos benefícios que derivarão de todas essas ações, o Programa USP Internacional será um laboratório prático das atividades internacionais da Universidade, que possibilitará, com alta margem de certeza, a formulação de programa de internacionalização para a USP nos próximos anos.

O que se pretende com o novo patamar de internacionalização é fazer com que nossa universidade possa respirar uma atmosfera verdadeiramente multicultural e internacional, que favoreça a compreensão, a tolerância e a interdisciplinaridade. Por outro lado, é necessário que a USP consiga participar do seleto grupo de universidades mundiais, aptas a desenhar a universidade do século 21. Em poucos anos, o desenho da universidade mudará mais do que cambiou desde o século 12, quando as primeiras instituições de ensino superior surgiram na Europa.
João Grandino Rodas é reitor da USP
Fonte Jornal da USP(15 de Maio de 2013)

terça-feira, 11 de junho de 2013

Meu canal do Youtube atingiu 150.010 visualizações em 10/06/2013!Obrigado a todos!


Veja meu canal:

http://www.youtube.com/user/drheliodias

Richard J. Roberts(Prêmio Nobel de Medicina 1993):Fala sobre empresas farmacêuticas e os remédios que não curam!


Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos. Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia.
A investigação pode ser planejada?
Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pelas Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projetos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender.
Parece uma boa política.
Acredita-se que, para ir muito longe, temos de apoiar a pesquisa básica, mas se quisermos resultados mais imediatos e lucrativos, devemos apostar na aplicada ...
E não é assim?
Muitas vezes as descobertas mais rentáveis foram feitas a partir de perguntas muito básicas. Assim nasceu a gigantesca e bilionária indústria de biotecnologia dos EUA, para a qual eu trabalho.
Como nasceu?
A biotecnologia surgiu quando pessoas apaixonadas começaram a perguntar-se se poderiam clonar genes e começaram a estudá-los e a tentar purificá-los.
Uma aventura.
Sim, mas ninguém esperava ficar rico com essas questões. Foi difícil conseguir financiamento para investigar as respostas, até que Nixon lançou a guerra contra o cancro em 1971.
Foi cientificamente produtivo?
Permitiu, com uma enorme quantidade de fundos públicos, muita investigação, como a minha, que não trabalha directamente contra o cancro, mas que foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida.
O que descobriu?
Eu e o Phillip Allen Sharp fomos recompensados pela descoberta de introns no DNA eucariótico e o mecanismo de gen splicing (manipulação genética).
Para que serviu?
Essa descoberta ajudou a entender como funciona o DNA e, no entanto, tem apenas uma relação indirecta com o cancro.
Que modelo de investigação lhe parece mais eficaz, o norte-americano ou o europeu?
É óbvio que o dos EUA, em que o capital privado é activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espectacular da indústria informática, em que o dinheiro privado financia a investigação básica e aplicada. Mas quanto à indústria de saúde... Eu tenho as minhas reservas.
Entendo.
A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas.
Explique.
A indústria farmacêutica quer servir os mercados de capitais ...
Como qualquer outra indústria.
É que não é qualquer outra indústria: nós estamos a falar sobre a nossa saúde e as nossas vidas e as dos nossos filhos e as de milhões de seres humanos.
Mas se eles são rentáveis investigarão melhor.
Se só pensar em lucros, deixa de se preocupar com servir os seres humanos.
Por exemplo...
Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença ...
E por que pararam de investigar?
Porque as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação.
É uma acusação grave.
Mas é habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo.
Há dividendos que matam.
É por isso que lhe dizia que a saúde não pode ser um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que o modelo europeu misto de capitais públicos e privados dificulta esse tipo de abusos.
Um exemplo de tais abusos?
Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas.
Não fala sobre o Terceiro Mundo?
Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado.
Os políticos não intervêm?
Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos.
Há de tudo.
Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…

Publicado originalmente no La Vanguardia. Retirado de Outra Política

Richard J. Roberts nació en Derby, Inglaterra, en 1943. Estudió inicialmente Química, posteriormente se traslada a Estados Unidos, donde desarrolla actividad docente en Harvard y en el Cold Spring Harbor Laboratory de Nueva York. Desde 1992 dirige los trabajos de investigación del Biolabs Institute, de Beverly, (Massachusetts).
Obtuvo el Premio Nobel de Fisiología y Medicina en 1993, compartido con Phillip A. Sharp, por su trabajo sobre los intrones, fragmentos de ADN que no tiene nada que ver con la información genética. Pudieron describir que la información depositada en un gen no estaba dispuesta de forma continua, sino que se encontraba fraccionada.
Los primeros experimentos los realizaron sobre material genético de virus, particularmente de adenovirus.
Ambos llegaron a la conclusión de que el ARN ha tenido que preceder en la evolución al ADN.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

10 de Junho é o Dia de Portugal:Parabéns a todos nossos irmãos portugueses!


10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.A data do falecimento de Luís Vaz de Camões, em 1580, e o dia do Santo Anjo da Guarda de Portugal é utilizada para relembrar não só os feitos passados, como os milhões de Portugueses que vivem fora do seu país natal e a essência espiritual na figura de um arcanjo que protege a nação portuguesa.Tenho muito orgulho de ser neto de portugueses!

Uma frase oportuna para os tempos atuais de Luis de Camões:


O fraco rei faz fraca a forte gente!


 Salmo 91



Tu, que habitas sob a protecção
do Altíssimo,
moras à sombra do Omnipotente.
Ele te livrará do laço do caçador
e do flagelo maligno.

Não temerás o pavor da noite,
Nem a seta que voa de dia;
Nem a epidemia que se propaga
Nas trevas,
Nem a peste que alastra em pleno dia.

Nenhum mal te acontecerá,
Nem a desgraça se aproximará
Da tua morada.
Porque o Senhor mandará aos seus Anjos
Que te guardem
Em todos os teus caminhos.

“Porque confiou em Mim, hei-de salvá-lo;
Hei-de protegê-lo, pois conheceu
O meu nome.
Quando Me invocar, hei-de atendê-lo,
Estarei com ele na tribulação,
Hei-de libertá-lo e dar-lhe glória.”

O Senhor mandará aos seus Anjos
Que te guardem
Em todos os teus caminhos.

sábado, 8 de junho de 2013

US$ 1 milhão para a pessoa que provar um problema de matemática!




The Beal Prize was funded by Andrew Beal, a prominent banker who is also a mathematics enthusiast. An AMS-appointed committee will award this prize for either a proof of, or a counterexample to, the Beal Conjecturepublished in a refereed and respected mathematics publication. The prize money – currently US$1,000,000 –  is being held in trust by the AMS until it is awarded. Income from the prize fund is used to support the annual Erdős Memorial Lecture and other activities of the Society. The Beal conjecture and prize were announced in anarticle that appeared in the December 1997 issue of Notices of the American Mathematical Society. One of Andrew Beal's goals is to inspire young people to think about the equation, think about winning the offered prize, and in the process become more interested in the field of mathematics.
Beal Prize Conjecture
If Ax + By = Cz , where A, B, C, x, y and z are positive integers and x, y and z are all greater than 2, then A, B and C must have a common prime factor.
[By way of example, 33 + 63 = 35, but the numbers that are the bases have a common factor of 3, so the equation does not disprove the theorem; it is not a counterexample.]

The BPC will consider a proposed solution if it is a complete mathematical solution of the Beal Prize Problem. Before consideration, a proposed solution (the “Work”) must be published in a refereed mathematics publication which is respected and, in the opinion of the BPC, maintains the highest editorial standards (or published in another form as the BPC decides may qualify). In the case of a counterexample, the proposed solution will be subject to independent verification. Upon publication, the author(s) of the Work should notify the AMS and the BPC by sending email to bealprize@ams.org or by sending mail to:
Beal Prize Committee
c/o Executive Director
American Mathematical Society
201 Charles Street
Providence, RI 02904 USA.

Primeiro Curso ONLINE Aberto para o Público(MOOC) de Professores da USP com Veduca!







Ficamos felizes que os Professores Vanderlei S.Bagnato e José Roberto Cardoso(membros do IVEPESP)tenham tido um papel de destaque nesta iniciativa pioneira! 




Vejam mais detalhes sobre o IVEPESP em nosso site:

 http://www.ivepesp.org.br/

Abaixo segue artigo explicativo sobre os MOOC publicado no Jornal da Ciência em 26/11/2012. 

Ronaldo Mota é também membro do IVEPESP!


MOOC, uma revolução em curso, artigo de Ronaldo Mota e Andreia Inamorato



MOOC significa "curso aberto pela internet para grandes massas" (em inglês, Massive Open Online Course) e é, provavelmente, o fenômeno educacional mais recente. Segundo alguns, constitui uma possível ruptura na educação superior em termos de ensino e aprendizagem online. Tal entusiasmo, ainda que compreensível, demanda a necessária cautela, dado que o conceito, ainda em consolidação, é extremamente recente (cinco anos), ele próprio ainda submetido a alterações com novas tendências internas emergindo, bem como vários desafios ainda a enfrentar.

Duas características essenciais caracterizam os MOOCs: são cursos abertos e permitem escalabilidade. Sobre a primeira, significa que mesmo estudantes que não estão regularmente registrados na instituição promotora podem participar. No entanto, é preciso lembrar que uma limitação ao "aberto" está associada à exigência de habilidades mínimas por parte dos participantes, o famoso "letramento digital", além da infraestrutura tecnológica com acesso à internet e preferencialmente com uma banda razoável que permita a navegação sem muitas frustrações. Sobre escalabilidade, o desenho do curso é apropriado para atender crescimento exponencial de matrículas, podendo chegar a centenas de milhares de estudantes participando em cada oferta de curso.

Embora desde meados da década de 1990, cursos online sejam oferecidos, o primeiro com características próprias de MOOC foi ofertado em 2007 na Utah State University, por David Wiley, ainda que a denominação MOOC só tenha sido cunhada um ano após por George Siemens e Stephen Downes, na Athabasca University no Canadá. Neste caso, ambos lançaram o primeiro assim denominado MOOC, que teve 2.300 estudantes de diversos países, numa tentativa explícita de utilizar as tecnologias emergentes para propiciar a chamada "aprendizagem social distribuída em rede".

Mesmo com várias iniciativas semelhantes ao longo do final da década passada, somente em 2011, com o MOOC "Inteligência Artificial", promovido pela Universidade de Stanford, com quase 160.000 matrículas, é que o modelo chamou definitivamente a atenção de todos e ganhou notoriedade jornalística. Recentemente, dois professores de Stanford criaram uma empresa denominada Coursera (http://www.crunchbase.com/company/coursera), da qual participam universidades de elite, incluindo, entre outras: Princeton, École Polytechnique Fédérale de Lausanne, University of Toronto, Columbia, Brown, Melbourne, Hebrew, University of Jerusalem e Honk Kong University of Science and Technology.

No momento, Coursera oferece dezenas de cursos variando de engenharia a sociologia e já contam com impressionantes mais de um milhão de matrículas com estudantes oriundos de 196 países. Outras importantes iniciativas estão brotando a todo momento e em todos os lugares. O MIT (Massachusetts Institute of Technology) deu origem ao MITx2 (http://ocw.mit.edu/index.htm) em dezembro de 2011. No começo deste ano, um professor de Stanford fundou a Udacity (http://www.udacity.com), em maio, Harvard, juntamente com MIT e Berkeley, criaram o edX4 (https://www.edx.org), e assim por diante. O Brasil também participa ativamente deste processo e já tem seu primeiro MOOC (http://moocead.blogspot.co.uk/) sobre o apropriado tema "educação a distância", proclamado como o primeiro em língua portuguesa, idealizado por João Mattar (Brasil) e Paulo Simões (Portugal).

Os MOOCs, ainda que a maior parte deles ainda possam ser considerados como em caráter de experiências piloto, em sua dinâmica atual estão gerando duas correntes distintas, as quais parecem mesmo divergir, com baixas chances de reencontro posterior, dado diferir em objetivos e métodos. George Siemens (http://www.slideshare.net/gsiemens/designing-and-running-a-mooc) entende que os dois ramos derivados podem ser associados aos denominados cMOOCs, tipo-CCK MOOCs, e os xMOOCs, tais como Coursera e edX.

Os cMOOCs são baseados no Conectivismo, uma teoria da era digital que parte da premissa que o conhecimento está no mundo e não apenas no indivíduo, como afirmam outras correntes de aprendizagem, tais como o Cognitivismo e o Construtivismo. Alguns elementos que ajudam a caracterizar o conectivismo são:

 i. aprendizagem e conhecimento estão diretamente associados à máxima diversidade de opiniões,

 ii. aprendizagem passa por um adequado processo de conexão a fontes especializadas de informação,

 iii. desenvolvimento da capacidade de saber mais é mais relevante do que o que momentaneamente se sabe,

 iv. capacidade de enxergar conexões entre os campos de conhecimentos, ideias e conceitos constitui uma habilidade central, e

 v. aprendizagem, nesta modalidade, depende de máquinas conectadas, demais infraestrutura tecnológica associada e facilidades de conexão como elementos essenciais para facilitar uma aprendizagem que possa fluir sem dificuldades.

Assim, os cMOOCs se caracterizam pela utilização do conteúdo como ponto de partida e os estudantes são encorajados a expandir e criar conhecimentos a partir de seus próprios interesses e buscas na rede. Via os processos de agregação, mixagem, customização e compartilhamento, os cursos evoluem. Agregação significa que, diferentemente dos cursos tradicionais onde o conteúdo é estático e definido preliminarmente, durante o curso, após o seu início, novos conteúdos são permanentemente agregados ao ecossistema do curso, baseado na interatividade entre os professores responsáveis e os estudantes participantes, todos entendidos como contribuintes ao cMOOC. Mixagem porque é fortemente estimulado associar o material específico preparado para o curso com outros conteúdos que forem tornados disponíveis ao longo do curso. Customização, desde que o material resultante da mixagem é permanentemente redesenhado em uma forma customizada tal que seja apropriadamente utilizado pelos participantes, viabilizando que eles atinjam seus objetivos específicos. Compartilhamento é associado ao fato que o material redesenhado deve ser distribuído a todos os demais participantes do curso. Ou seja, um cMOOC utiliza múltiplas plataformas (blogs, wikis, websites e redes sociais as mais variadas), além de priorizar a interatividade entre os participantes. O cMOOC, portanto, não é todo planejado desde o início, a experiência evolui conforme o curso se desenvolve.

Os xMOOCS, diferentemente dos cMOOCS, são mais recentes ainda e se baseiam num formato estruturado e tradicional, que segue um fluxo, a partir de conhecimento pré-definido pelo professor, compartilhado de um para muitos. Neste modelo a figura do professor é central e em geral professores doutores de universidades renomadas os responsáveis, os conteúdos são definidos a priori pela instituição e não se prioriza a interatividade entre os participantes.

Em qualquer das modalidades, cMOOCs ou x MOOCs, é correto afirmar que instituição de ensino superior que hoje não oferece educação a distância e não está pensando em como abrir o conhecimento produzido por ela à sociedade, está operando de forma menos competitiva. Os estudantes estão cada vez mais aproveitando a abertura de conhecimento das universidades como uma vitrine para a escolha de como e onde estudar, uma vez que têm acesso a professores, conteúdos, modelos pedagógicos e tecnologias antes não compartilhados.

Os MOOCs ainda enfrentam muitas dificuldades. Um dos mais importantes desafios inclui como garantir uma participação mínima, evitando deixar muitos para trás, ainda que cada um tenha seu próprio ritmo. Em geral, as desistências estão associadas às dificuldades quanto ao nível de autonomia exigido, a capacidade de lidar com o ambiente tecnológico adotado, bem como o persistente sentimento, em alguns casos, acerca da ausência da presença física de professores e colegas.

De acordo com Phil Hill (http://mfeldstein.com/four-barriers-that-moocs-must-overcome-to-become-sustainable-model/), as quatro barreiras que o modelo MOOC ainda precisa superar dizem respeito a: i. consolidação de modelos de financiamento que garantam sustentabilidade, ii. Entregar certificados de conclusão aceitáveis em programas acreditados, garantindo que o que o certificado afirma corresponde efetivamente ao que as empresas empregadoras desejam contratar, iii. enfrentar a relativamente alta evasão ao longo do curso.

Em que pesem os desafios remanescentes, os benefícios visíveis para o educando ao adotar os MOOCs como fonte de novo conhecimento são largamente dominantes, o que é também atestado pelo enorme sucesso que eles têm experimentado nos últimos tempos. As razões são múltiplas:

 i. MOOCs são abertos, mesmo para aqueles que não são estudantes regulares na instituição promotora e, em geral, com custo zero, ou próximo disso,

 ii. enorme flexibilidade, permitindo aos participantes escolher espaço e tempos convenientes para se dedicar ao curso,

 iii. independente de restrições curriculares e das formalidades usuais, evitando salas de aula e viabilizando tratar de temas variados associados ao conteúdo principal,

 iv. compartilhamento de pensamentos e material adicional entre todos os participantes de forma muito mais acessível do que em cursos tradicionais, v. os equipamentos e conexões internet exigidos estão se tornando cada vez mais comuns e simples, 

vi. oportunidades para, via links, acessar conhecimentos prévios ou posteriores, dependendo do específico nível e interesse do estudante, vii. grande oferta de conteúdo variável, permitindo ser customizado de acordo com perfil e demanda particular de cada participante,

 viii. custo relativamente barato para os professores responsáveis pela elaboração do MOOC, estimulando os modelos colaborativos,

 ix. MOOCs podem ser desenvolvidos voltados a atender demandas específicas do trabalho de uma determinada empresa, permitindo e estimulando que os funcionários usem também o tempo eventualmente disponível no próprio serviço,

 x. promove naturalmente uma imersão em tecnologias digitais, as quais são essenciais para quaisquer atividades contemporâneas, e

 xi, propicia e estimula a formação de novas redes de relacionamento, tanto entre os colegas como entre os estudantes e os professores.

O futuro exato dos MOOCs é ainda incerto; a não ser a realidade consolidada de que eles chegaram para ficar e fazer parte em definitivo de nosso universo educacional. Mesmo assim, há ainda um longo caminho até que eles efetivamente sejam incorporados como parte integrante substantiva da formação acadêmica em grande escala, lembrando sempre que atualmente essas coisas costumam ocorrer, às vezes, mais rapidamente do que esperamos.

Até agora, os MOOCs têm oferecido aos concluintes um atestado de conclusão e raramente também uma nota. Porém, as coisas estão se alterando muito rapidamente. A Universidade de Washington (http://www.washington.edu/news/2012/07/18/uw-is-first-u-s-school-to-give-credit-for-classes-certificate-programs-on-massive-open-online-course-platform/) acaba de anunciar que deverá ser a pioneira em utilizar MOOCs com concessão de créditos e os estudantes provavelmente terão que arcar com as taxas relativas ao material disponibilizado, tutorias, exames de avaliação etc.

A ideia dos MOOCs é, de fato, precedida pelo movimento global de Recursos Educacionais Abertos (conhecido por REA) e que vem ganhando espaço no cenário nacional e internacional. REA, termo cunhado em evento da Unesco em 2002, são materiais educacionais ou de pesquisa, incluindo cursos completos, objetos de aprendizagem, textos, vídeos, livros e software, disponíveis em qualquer formato ou mídia, que estejam em domínio público ou que tenham uma licença de uso aberta, permitindo o reuso e adaptação por terceiros.

Uma vez que há uma década se fala e se faz REA internacionalmente, seria interessante vermos mais cursos em língua portuguesa oferecidos por universidades brasileiras nesse modelo. Há quem argumente que produção acadêmica fomentada com dinheiro público é um bem público, e, portanto, não deve estar fechado às quatro paredes da universidade e aos poucos que tenham acesso a ela. No caso das universidades particulares e confessionais, além do compromisso social que a elas igualmente cabe, existem também os fatores visibilidade e atração de matrículas, como aconteceu com o já famoso MIT, que ao abrir seu conteúdo na forma de REA desde meados da década passada, teve sua reputação ainda mais solidificada.

George Siemens enfatiza o alinhamento dos cMOOCs ao movimento REA, apesar de não serem sinônimos. Os MOOCs podem ou não ser REA, dependendo da licença de uso utilizada nos seus materiais educacionais.  Pedagogicamente falando, os cMOOCs não se limitam ao conteúdo pré-empacotado pelas universidades, uma vez que facilitadores (professores) e participantes (estudantes) são igualmente curadores de conteúdo, nova habilidade do século XXI, e procuram utilizar e produzir REA, ainda que não exclusivamente. Tudo é tão novo que até a terminologia adequada ainda está em construção. 

Já os xMOOCs são mais estruturados, como um curso tradicional e geralmente, com pouquíssimas exceções, não apresentam conteúdos licenciados de forma aberta. São cursos de acesso livre, mas não necessariamente abertos no que se refere à adaptação, reuso e redistribuição do conteúdo.

Os MOOCs estão alinhados com os princípios da educação aberta, que entre outras características, preveem flexibilidade e redução de barreiras de acesso, além de grande diversidade de material utilizado durante o curso. Educação aberta é um conceito que existe há muitas décadas, mas que agora se reconfigura com o avanço da tecnologia e novas possibilidades de distribuição de conhecimento, acesso e licenças abertas.  Nessa configuração contemporânea de REA e educação aberta, os MOOCs são frutos das tecnologias aplicadas à educação, e da descoberta de que, por causa desses avanços, a capacidade de uma aprendizagem em rede, aberta e distribuída, faz parte das habilidades individuais que terão cada vez maiores demandas na sociedade da informação em que vivemos.

Por fim, os MOOCs reúnem um conjunto não pequeno de incertezas e indefinições, típicos de novidades com potencial transformador. A única certeza é que iniciativas do tipo estão em perfeita sintonia com explorar possibilidades de transformar educação em um bem mais acessível com qualidade e contribuindo com a formação de profissionais e cidadãos aptos a enfrentar os desafios do mundo contemporâneo e tornando possível um desenvolvimento social e econômico sustentável.