domingo, 14 de julho de 2013

A rica tradição islâmica:Vale a penar conhecer!



Uma das mais exuberantes culturas erguidas durante o primeiro milênio, a civilização islâmica legou à humanidade valiosas conquistas em vários ramos do saber – obtidas principalmente durante o califado dos obássidas (750-1055), que tinha sede em Bagdá. Na medicina, por exemplo, os sábios muçulmanos – entre eles Avicena (939-1037) – escreveram centenas de tratados, em que sistematizaram todo o conhecimento médico produzido até então. Al-Kindi (801-873) compôs mais de 250 trabalhos sobre física, química, psicologia e filosofia, entre outras áreas. A álgebra é uma ciência tipicamente árabe, criada por Al-Khwarizmi (780-850) na Casa da Sabedoria (Bayt al-Hikma), uma efervescente universidade fundada pelo califa Al-Ma’amun (813-833). Traduções e comentários das obras de Platão e Aristóteles, feitas pelos eruditos muçulmanos da época, foram responsáveis em boa medida pela preservação da filosofia grega durante a Idade Média. Com todo esse esplendor científico – e as possibilidades de reflexão e de inspiração que ele oferece –, a cultura árabe permanece, porém, praticamente desconhecida no Ocidente, que ainda parece ver no Oriente muçulmano somente exemplos de radicalismos e intolerância.

Eliminar esse persistente desconhecimento da rica tradição islâmica entre os ocidentais é um dos objetivos do livro O Islã clássico – Itinerários de uma cultura, lançado recentemente pela Editora Perspectiva. Com 870 páginas, a obra traz 22 artigos de vários especialistas, que abordam diferentes aspectos da cultura árabe, desde literatura, teologia e filosofia até direito, ciência e política. “Que se pense na Baixa Idade Média e no intenso diálogo de Santo Tomás de Aquino com os filósofos árabes Avicena e Averróis, para nos darmos conta da urgência dessa reflexão retardatária entre nós, uma vez que nem sequer os departamentos de Filosofia, em que se estuda a filosofia medieval, apresentam uma disciplina voltada para a contribuição islâmica”, afirma, no prefácio do livro, a professora Olgária Matos, do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. A organização da obra é da professora Rosalie Helena de Souza Pereira, doutora pela Universidade de Campinas (Unicamp) com uma tese sobre o pensamento político de Averróis (1126-1198).

Poesia pré-islâmica – Embora profundamente moldada pelo Islã – religião fundada no século 7 pelo profeta Muhammad ibn Abd Allah (Maomé) –, a cultura árabe ostenta marcas de suas raízes pré-islâmicas, preservadas pelas poesias compostas durante a Jahiliyya, o “tempo da ignorância e da indisciplina”, como é chamada a época anterior ao advento do islamismo. “No que concerne ao mundo árabe, não se pode falar de cultura em sentido amplo, tampouco analisar os traços mais genuínos da tradição árabe, sem remontar aos textos pré-islâmicos, primeira e única fonte de sua vida social e espiritual mais antiga”, afirma a professora Aida Ramezá Hanania, docente de Cultura Árabe do Departamento de Letras Orientais da FFLCH, que assina o artigo “O patrimônio literário pré-islâmico e sua repercussão na cultura árabe”, publicado em O Islã clássico.Isolada, inóspita e desértica, a Península Arábica – destaca Aida – abrigou um povo que permaneceu estritamente dentro de seus limites geográficos. Era formado por nômades simples e rudes, que erravam pelos desertos do norte e da região central da Arábia. De formação tribal, exercia atividades pastoris e se amparava no credo politeísta e idólatra. “Num mundo estruturado pela solidão, pelo vazio e pelo silêncio que eloqüentemente o povoa, num mundo privado de emoção telúrica e que tem como constantes a aridez, a invisibilidade e a monótona sucessão do tempo, o homem volta-se inapelavelmente a si mesmo e a seu meio, perscrutando-o e revelando-o poeticamente, em filigrana, fazendo emergir, a um tempo, o particular e sua ligação com o universal”, escreve Aida, explicando as mais profundas origens da poesia pré-islâmica. Esses valores estão expressos no poema Hutba, de Quss Ibn Saida, orador e poeta do século 6, em que convida os membros de sua tribo, Iyad, a ler a mensagem escrita na natureza e nos homens, em tradução de Helmi Nasr:

Ó gente! Ouvi e meditai!
É certo que quem vive morre
E quem morre finda
E o que tiver que ser será.
(Contemplai) a noite escura
O dia sereno
O céu, com suas constelações!
E estrelas, que brilham
E mares, que se agitam
Montanhas assentadas
A terra, que se estende
Rios que correm
Não vedes que no céu há notícias
E na terra, sinais?
Por que será que os que se foram não voltam?
(…)

Neste ir-se das antigas gerações, há para nós luz interior
Quando vi ondas de morte chegando, sem que saibamos de onde procedem
E vi meu povo ser por elas tragado, tanto os pequenos como os grandes!
E vi que não volta o passado, nem retorna quem se foi
Então me convenci de que também eu irei para onde meu povo está.
O Corão – O grande marco da cultura islâmica foi a visão que Muhammad teve do arcanjo Gabriel, no Monte da Luz (Jabal al-Nur), perto de Meca, na Arábia, em agosto de 610. Naquela ocasião, sob as ordens de Gabriel, Muhammad pronunciou os primeiros versos do que viria a ser o Corão (Al-Quran): “Lê em nome de teu Senhor que criou; criou o homem de um coágulo. Lê que teu Senhor é Dadivoso; que ensinou com o cálamo, ensinou ao homem o que ele não sabia”.A partir desses versos, formou-se uma obra monumental, que até hoje influencia a vida de milhões de seres humanos. Como explica o professor Jamil Ibrahim Iskandar, da PUC do Paraná – autor do artigo “Al-Quran: o Corão, o livro divino dos muçulmanos”, também publicado em O Islã clássico –, a revelação do livro completo, com 114 capítulos ou suras (suwar), se deu ao longo de 23 anos, de 610 até 632, data da morte do profeta. Em Meca, foram revelados 86 capítulos, que, por isso, são chamados de “mecanos”. Após a fuga de Muhammad para Medina, em 622 – fato conhecido como Hégira, que dá início ao calendário islâmico –, foram compostos os demais 28 capítulos, conhecidos como “medinenses”. “Durante os quase três primeiros anos, as revelações recebidas por intermédio do arcanjo eram transmitidas por Muhammad apenas àqueles que pertenciam a seu núcleo familiar. Por volta de 612, o profeta recebeu de Deus a ordem para iniciar o seu apostolado público”, afirma Iskandar.

Segundo o professor, à medida que Muhammad recebia as revelações do arcanjo Gabriel e as transmitia a seus seguidores, anotações iam sendo feitas em folhas de tamareira, pedaços de couro fino, ossos de camelo ou de ovelha, telas de seda e em papéis oriundos da Índia, entre outros tipos de material. “O próprio profeta ditou aos ‘escribas da revelação’ cada versículo, cada capítulo, o que permite afirmar com segurança que não houve qualquer tipo de alteração ou manipulação da mensagem original da Escritura sagrada”, destaca Iskandar. “Há apenas os escritos originais e, neles, nenhuma modificação foi feita. Nada no Corão pode ser considerado apócrifo. Até hoje, o livro sagrado permanece em sua forma originária e íntegra.”

Escolas teológicas – A revelação do Corão não somente representou o advento de um livro de orientação espiritual, ética e social. Ela também gerou um rico pensamento teológico – traduzido pelo termo árabe kalam –, que fez surgir diferentes movimentos de teólogos, empenhados em decifrar, interpretar e ensinar a palavra divina. Duas dessas “escolas” teológicas do kalam – a mutazilita e a asarita – são analisadas pelo professor Tadeu Mazzola Verza, da Universidade Federal da Bahia, no artigo “Kalam: a escolástica islâmica”.Segundo Verza, o mutazilismo – fundado por Wasil Ata, morto em 748 – foi a doutrina oficial dos abássidas na primeira metade do século 9. Apesar disso, foi condenado e teve a maior parte de suas obras destruídas, principalmente devido ao caráter racionalista de seus seguidores. Para eles, é obrigação da razão elevar-se a Deus e buscar entendê-lo, pois isso é da natureza da própria razão, e não um comando da Lei sagrada. “Se a Lei não tivesse existido, segundo essa posição, ainda assim seria função da razão buscar Deus, pois o conhecimento de Deus não seria pautado pela Lei, mas pela razão; interpretar o Corão e não tomá-lo literalmente faria parte dessa obrigação”, escreve Verza. A preocupação em defender a fé contra os infiéis de seu tempo inspirado no masdeísmo (religião persa), no maniqueísmo e, mais tarde, na filosofia grega – acrescenta o professor – é a principal característica do mutazilismo como doutrina.Essa visão racionalista da fé, proposta pelos mutazilistas, contribuiu para o surgimento da escola dos asaritas, fundada por Abu al-Hasan al-Asari (873-941). De acordo com Verza, Al-Asari inaugurou um caminho intermediário entre o racionalismo dos mutazilitas e a absoluta literalidade na interpretação do Corão, defendida pelos teólogos ortodoxos, que criticam tanto mutazilitas como asaritas. “O caminho intermediário inaugurado por Al-Asari deveria antes ser legitimado: deveria ser demonstrado que era possível discutir teologia considerando os conceitos trazidos pela filosofia grega, sem que isso configurasse inovação”, afirma Verza. Al-Asari demonstrou isso dizendo que a acusação de inovação feita pelos ortodoxos contra os asaritas era também uma inovação, pois eles condenavam atos que o profeta não condenara.

Filosofia grega – Além do kalam, outro movimento surgiu no mundo árabe, igualmente interessante e enriquecedor. Trata-se da falsafa, termo aplicado à filosofia de inspiração grega escrita em língua árabe, a partir do século 8. Tomando de empréstimo noções elaboradas pelo platonismo e pelo aristotelismo tardio, os filósofos do Império Islâmico formularam um pensamento que explicava racionalmente a civilização islâmica – até então baseada somente na aceitação incondicional do Corão e da tradição –, criando, assim, uma filosofia teísta fundada na razão, como analisa Rosalie Helena de Souza Pereira na apresentação de O Islã clássico. “Com os sistemas e as categorias da razão grega, os filósofos muçulmanos explicaram temas relativos à fé, como a criação do universo, a eternidade de Deus, a vida após a morte, o fenômeno da profecia, a mediação dos anjos entre os homens e Deus, a existência de milagres e outras tantas crenças religiosas.”Essas características estão bem presentes nas obras de Al-Farabi (870-950), o primeiro e mais influente dos pensadores ligados à falsafa, como afirma o professor Rafael Ramón Guerrero, da Universidade Complutense de Madri, na Espanha, no artigo “Al-Farabi: o filósofo e a felicidade”, um dos textos de O Islã clássico que tratam dos filósofos muçulmanos. Segundo Guerrero, Al-Farabi foi o primeiro pensador do Islã a construir um sistema metafísico, produzindo também uma ampla exposição do neoplatonismo árabe e da filosofia de Aristóteles. “Al-Farabi reinterpretou o conjunto do Islã a partir de seu ponto de vista filosófico, trazendo uma nova luz aos diversos aspectos da vida islâmica, desde a teologia até a organização da sociedade”, diz o professor. “Sua filosofia adquire um caráter essencialmente político, uma vez que seu objetivo final consistiria em modificar os próprios fundamentos da comunidade muçulmana, com o fim de a integrar em outros diferentes, cuja fonte já não seria apenas a lei divina, mas também uma lei procedente da razão humana, como duas expressões de uma e mesma lei ou verdade.”Orientado pelas obras de Platão e Aristóteles, Al-Farabi buscou definir as condições racionais que permitem ao homem alcançar a felicidade, continua Guerrero. A felicidade a que se refere o filósofo, porém, não é a felicidade tal como entendida no Corão, que se refere ao estado em que se encontrarão os bem-aventurados no Paraíso.

“É uma felicidade que o homem, na atualização de suas potencialidades individuais, só poderá alcançar pelo cultivo das virtudes morais e intelectuais, mas que só pode ser atingida no interior de uma sociedade.”

Outros grandes filósofos muçulmanos, como Avicena, Avempace e Averróis, também são temas de artigos publicados em O Islã clássico. O livro traz ainda textos sobre a mística muçulmana, uma tradição que cultiva o conhecimento através da iluminação, da razão e da purificação do adepto. Iniciada no século 12 com a fundação da Escola da Iluminação (Al-Israq), na Pérsia, esse misticismo filosófico caracterizou a filosofia islâmica posterior. Outros textos de O Islã clássico analisam o direito e o pensamento político islâmico medieval. A última parte do livro é dedicada à presença do Islã no judaísmo e no cristianismo.

A presença do Islã no Ocidente

O Islã está mais presente na cultura ocidental do que se imagina. Essa é uma conclusão a que se pode chegar ao ler a última parte do livro O Islã clássico – Itinerários de uma cultura. Nela, quatro textos destacam a influência de pensadores muçulmanos em importantes autores do Ocidente.Nada menos que a Divina Comédia, obra-prima do poeta florentino Dante Alighieri (1265-1321), sofre a influência de fontes islâmicas, como mostra o professor Helmi Nasr – docente de Língua Árabe do Departamento de Letras Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP –, no artigo “A escatologia islâmica na Divina Comédia”. Nasr lembra que foi o arabista espanhol Miguel Asín Palacios, no livro La escatologia musulmana en la Divina Comédia, publicado em 1919, quem primeiro apontou a contribuição da cultura árabe para a criação de Dante. “No parecer do autor, a arquitetura dos reinos celeste e infernal e a própria narrativa da viagem ao além, no poema dantesco, têm sua fonte de inspiração nas tradições islâmicas.”

Outro pensador que recebeu influência islâmica foi o filósofo catalão Raimundo Lúlio (1232-1316), como mostra Victor Pallejà de Bustinza, professor da Universidade de Alicante, em Valência, na Espanha, em outro artigo. Também baseado em pesquisas de Asín Palacios, Bustinza destaca a influência de Ibn Arabi (1165-1240) sobre o catalão.Outros artigos, de autoria de Nachman Falbel, professor do Departamento de História da FFLCH, e de Cecilia Cintra Cavaleiro de Macedo, do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo, abordam, respectivamente, o pensamento de Saadia al-Fayyumi (892- 942) e de Avicebron (1022-1070), ambos pensadores judeus com influência muçulmana.

sábado, 13 de julho de 2013

Etanol: A nova evaporação de um sonho



Parece que nunca chega o momento do país do futuro. Agora uma crise no setor do etanol ameaça uma dos mais promissores projetos brasileiros.



A inédita elevação dos preços do etanol nas bombas dos postos brasileiros em plena colheita da safra da cana, que ocorre anualmente entre abril e novembro, causou surpresa e desconforto aos consumidores. Evaporou-se novamente o espaço do etanol nos tanques de combustível dos automóveis do país, a exemplo do que ocorreu no final dos anos 1980, com o fracasso do Proálcool, quando os preços do petróleo despencaram no mercado internacional e o governo simplesmente abandonou o programa e seus milhões de adeptos. Em 1984 os veículos movidos a álcool representavam 94,4 % do total de veículos em circulação pelo Brasil; em 1994, apenas 1 %.


O etanol é um produto de baixo carbono por captar dióxido de carbono da atmosfera, quando do processo de fotossíntese na formação dos canaviais. Em 2010 a Environmental Protection Agency - EPA, maior autoridade ambiental dos Estados Unidos, classificou o etanol de cana como um biocombustível avançado, com redução de emissões em relação à gasolina de 61% a 90% (para efeitos comparativos, a redução de emissões com o etanol do milho varia de 20% a 30%).


Por muito tempo o governo brasileiro propagou de forma ufanista os pontos positivos do etanol, como suas vantagens ambientais sem prejudicar a oferta de alimentos ou invadir florestas, além da possibilidade de atender boa parte da crescente demanda mundial. Mas o produto perde participação na matriz energética brasileira desde 2010. A sociedade civil organizada deve expelir toda a força de sua silenciosa energia para cobrar ações de breve restauração do fantástico programa brasileiro de biocombustíveis junto às autoridades e à cadeia produtiva da cana.


Em perspectiva de longo prazo, o desempenho da indústria sucroalcooleiro brasileira é deveras positivo. Em meados da década de 1990, com a liberação dos preços, a indústria livrou-se das históricas amarras intervencionistas governamentais, para desenvolver-se de forma mais harmoniosa. A produtividade de etanol por hectare de cana duplicou de 1970 para cá. Atualmente o preço real do etanol é cerca de 30% a 40% do daquela década. Grandes petroleiras como BP, Shell, Petrobras e Total investem forte no setor.


O automóvel é uma das grandes paixões do ser humano, proporciona senso de total liberdade, status e prazer. O mundo da energia tem olhos bem atentos para o etanol da cana brasileiro. Todavia todas as grandes montadoras mundiais de veículos desenvolvem projetos e linhas de montagem de carros elétricos e híbridos. O Brasil sequer tem políticas públicas para esse setor e recentemente retomou os estudos para a elaboração de um marco regulatório para desenvolver o incipiente mercado interno de carro elétrico. Em quatro anos apenas 71 carros elétricos e/ou híbridos foram licenciados no país.


Circulam pelo mundo cerca de 3 milhões de carros elétricos/híbridos, sendo 1milhão de carros novos só em 2010. O Japão já responde por 70 % das patentes na área e o governo brasileiro está paralisado, por conta de proteger seu mercado com o carro flex. A Petrobras parece não ser favorável a ter a concorrência de um sistema de transportes completamente diferente do atual modelo, baseado no motor a combustão, movido a gasolina, diesel ou etanol.


Thomaz Edison afirmou em 1907 que em poucos meses chegaria ao mercado veículos baratos, com custo de manutenção quase inexistentes e movidos a eletricidade, por meio de um bateria recarregável que ele aperfeiçoou. Um dos maiores desafios da humanidade é saber qual será o formato do carro do futuro e em quanto tempo o protótipo terá escala comercial, devido principalmente aos enormes interesses envolvidos. Já está em curso mundo afora uma verdadeira revolução nos propulsores de veículos. Criar a fonte de energia limpa, renovável, abundante e barata é o sonho de todo gênio que estuda e pensa o futuro da mobilidade humana.


O Brasil assiste de forma impassível a acirrada corrida tecnológica mundial em busca de um modelo competitivo que vai dominar o transporte individual do futuro próximo. Em 2011 o presidente dos EUA Barack Obama assinou um acordo com as maiores montadoras de veículos do mundo, onde estas se comprometeram a dobrar a eficiência de consumo de combustível de automóveis e pick-ups até 2025. Enquanto o orçamento norte-americano para Ciência e Tecnologia em 2011 é de R$ 136,1 bilhões, o brasileiro é de míseros R$ 7,3 bilhões - ou seja, o país pavimenta tímidas estradas políticas de mão única para comer poeira dos concorrentes já muito à frente.


Mas o que de fato está acontecendo no mercado brasileiro de etanol? No mês de julho de 2011 o consumo foi 33 % inferior ao consumo do mesmo mês em 2010. Já o consumo de gasolina cresceu 15 % no mesmo período comparativo. O país está abstêmico contra a sua vontade e o meio ambiente de ressaca, por tamanha queima da poluente gasolina. Os consumidores, ébrios de insatisfação, fazem entediantes contas para ver que produto colocar em seus autos.


A freada nos investimentos do setor sucroalcooleiro, após o revés sofrido com a crise mundial de 2008, interrompeu o sucesso do etanol brasileiro, uma experiência vista como modelo de sucesso no mundo inteiro. As previsões de produção para as próximas safras são pessimistas e pelo menos em um horizonte de três a cinco anos, a diferença de preços entre a gasolina e o etanol não estarão tão vantajosas em favor do derivado de cana, como ocorreu nos últimos cinco anos. A incerteza de oferta e o aquecimento da demanda estremeceram a estrutura de um grande plano.


O avanço da cana na matriz energética brasileira ocorreu em consonância com um otimismo generalizado no setor, que propiciou a construção de 112 usinas entre 2005 e 2010. Com 20 novas usinas inauguradas por ano a partir de 2005, aquele momento se caracterizou pela abundância de capital barato e novos entrantes com pouca experiência no setor . Em 2008/2009, auge dos investimentos, foram 30 novas usinas em operação. Na safra 2009/2010, porém, esse número já caiu para 19. Para a safra 2011/2012, são esperadas apenas cinco unidades - a fonte evaporou!


O problema é estrutural e tem origem em 2006, quando a expansão mal planejada provocou excesso de oferta, deprimiu os preços do açúcar e do etanol e fez com que as usinas começassem a ter dificuldades para saldar dívidas. Nesse ano houve um aumento muito grande do investimento no setor sucroalcooleiro. Empresas novas entraram no mercado, endividaram-se para implantar suas unidades e quando o dólar subiu e o crédito secou, ainda maturavam seus investimentos. Algumas quebraram, outras foram compradas. Grandes grupos entraram no setor comprando empresas em dificuldade e dessa forma o mercado foi-se consolidando.


A crise financeira mundial chegou em 2008 e atingiu principalmente as empresas que mais investiram. A falta de investimentos, os enormes encargos de dívidas contraídas e a forte queda na receita da indústria em 2008 e 2009 fizeram com que cerca de um terço do setor entrassem em dificuldades e passassem por forte reestruturação financeira e/ou societária. A falta de crédito fez as usinas escoarem grandes volumes de etanol a baixos preços para se capitalizarem. Distribuidoras e os postos repassaram a queda de preços e o consumo do etanol hidratado aumentou significativamente, mas com baixas remunerações para toda cadeia de comercialização.


A crise enxugou o excesso de liquidez e provocou uma chuva de falências no setor. Cerca de 50 usinas ainda estão em recuperação judicial, desde 2008. Não se vê nenhuma sinalização de retomada dos investimentos e sim uma inibição geral na indústria. Além dos investimentos em novas usinas terem se escasseado, houve estímulo adicional para a produção de açúcar em detrimento do álcool, em função da maior alta de preços internacionais dos últimos trinta anos.


O volume de cana moída, que crescia em média 10 % ao ano de 2000 a 20008, passou a crescer cerca de 3% a partir de então, com investimentos concentrados em fusões e aquisições e não na construção de novas usinas. Por outro lado, novos atores emergiram da crise: companhias sólidas cresceram e grupos tradicionais das áreas de agroindústria, petróleo e química entraram com força no mercado de etanol.


Outro fator decisivo desse mercado é o desequilíbrio na política de preços da gasolina e do etanol, em detrimento deste último. Sob o pretexto de contenções inflacionárias, o governo subsidia a gasolina vendida às refinarias por R$1,54, mesmo valor cobrado desde setembro de 2005. O valor do barril de petróleo sofreu muitas oscilações nesse período, mas o etanol ficou emparedado. Primeiro pelo congelamento artificial do preço da gasolina; depois pelos crescentes custos de produção; e por fim pelo seu próprio teto de competitividade, que esbarra em 70 % do preço da gasolina para ser vantajoso.


Para piorar esse cenário, problemas climáticos como excesso de chuva em 2009, estiagem em 2010 e geadas localizadas em 2011 prejudicaram a produtividade das últimas safras de cana. Quebras de safra são comuns na agricultura, que sofre com abruptas variações climáticas, com conseqüências diretas na volatilidade de seus preços.


Manter os preços da gasolina congelados segura a inflação, mas intervenções unilaterais criam artificialismos e distorções nas leis de mercado. O preço não abaixa quando o petróleo desce, nem sobe quando acontece o contrário. Por outro lado, outros produtos derivados de petróleo como nafta e querosene de aviação tiveram constantes aumentos de preço, expondo a incoerência dessa política de preços.


A gasolina brasileira é 30% mais barata que a gasolina nos países desenvolvidos. Mesmo assim é uma das mais caras do mundo por causa dos impostos. O Brasil cobra 43% de imposto sobre o preço de bomba, similar à União Europeia, um dos impostos mais altos do mundo. Já o etanol no Brasil é taxado a 31%. Nos Estados Unidos e na União Europeia, o etanol não tem incidência de imposto, ao contrário, tem subsídio.


A baixa remuneração da atividade em tempos de controle de preços de seu principal concorrente, a gasolina, deixou o produtor em estado de letargia e o canavial envelheceu. Foi renovado em média 8 % nos últimos três anos, quando o necessário e possível seria uma renovação próxima de 18 %. Apenas 7 % da cana a ser colhida em 2011 estão no seu primeiro corte, o que gera perda anual de produtividade equivalente a 10 toneladas por hectare.


O marco inicial para o mercado de etanol sair da crise é a recuperação dos canaviais. Está havendo o replantio de áreas envelhecidas, mas o problema é que essas novas áreas só entrarão em produção daqui a 18 meses. Os canaviais têm que ser recompostos, renovados e ampliados, mas a questão não é só financeira, é também agronômica. Tem-se que dar o tempo certo para a cultura aflorar em sua plenitude de acordo com as condições climáticas. O setor sucroalcooleiro levará ao menos três safras para ocupar a capacidade ociosa das usinas, que é de aproximadamente 15 %. No curto prazo faz-se necessário, então, novas lavouras e não novas usinas.


A frota brasileira de carros flex passou de 48 mil unidades em 2003 para 2,79 milhões em 2010 – de cada 10 carros produzidos no país, 8,4 são flex. Nos últimos cinco anos a frota flex cresceu 23 % ao ano, enquanto a moagem de cana cresceu apenas 8 %. Resultado: nesta safra já haverá insuficiência de cana para atender a demanda por etanol. Caso não haja uma reversão nesse quadro, a previsão é que o volume de carros bicombustível abastecidos com etanol caia gradualmente. A participação, que já atingiu 60% em 2008, recuou para 45% em 2011, e pode despencar para 37%, em 10 anos, segundo dados da Única.


Para abastecer 66% dos carros flex, o país teria de dobrar a área plantada, chegando a algo como 18 milhões de hectares, sem considerar novas tecnologias. Na safra atual, o aumento da área plantada será de 4,8%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento - Conab. De acordo com a Única, o setor precisará de R$ 80 bilhões de investimentos nos próximos dez anos para atender à demanda. Isso significa 133 usinas, ou 15 unidades por ano.


Passada a crise, mais de 70% do setor é hoje composto por grupos com bons ativos, estrutura de capital e governança, desempenho operacional e acesso a capital de boa qualidade. Portanto, grupos prontos para investir! Só que a decisão de iniciar um novo projeto demora, em média, um ano para sair do papel e cerca de três anos para entrar em operação, ou seja, um investimento iniciado no presente só terá reflexos em 2015.


O Brasil batalhou por tantos anos para que os EUA retirassem os impostos que incidiam sobre importações de etanol e eliminassem os subsídios aos produtores americanos. Prestes a alcançar a sonhada façanha de adentrar no maior mercado mundial, mal consegue abastecer seu mercado interno. Pior, importou o ineficiente etanol de milho americano, no pico da crise R$ 0,40 mais barato que o similar nacional. Um contrassenso para um país tropical, com terra, água e clima propícios para abastecer seu mercado interno e muito do mercado externo. Depois de tanta luta para consolidar o etanol como commodity, não se pode perder a chance ímpar de abastecer a pujante demanda internacional.


O governo brasileiro resolveu agir após a crise econômica provocada pela súbita elevação dos preços do etanol, que pressionou inclusive os índices de inflação em 2011. Definiu que o etanol é um combustível estratégico e não apenas um derivado da produção agrícola. Determinou que a Petrobrás atue como um grande player nesse mercado, com planos de triplicar sua produção em quatro anos, dos atuais 5 % para 15 % do total de etanol produzido no país, e assim minimizar os problemas de entressafra e volatilidade de preços.


Atualmente os indutores de mercado são muito distintos daqueles observados em 2005. Nesses últimos seis anos, os custos de produção do etanol aumentaram mais de 40% e o produto perdeu competitividade frente à gasolina, que segue com o mesmo preço desde 2005. Além da significativa redução de margens, que não justificam elevados investimentos em novas unidades, os empresários se sentem inseguros em relação à falta critérios na fixação de preço da gasolina.


Tanto o poder público quanto as usinas e as distribuidoras de combustíveis sofrem com improvisação, falta de planejamento e políticas de longo prazo. O governo tem agora que enfrentar no curto prazo um possível aumento de demanda por gasolina e uma provável falta de oferta de etanol, eventos a serem atendidos infelizmente por meio de importação.


Um problema tão complexo como o mercado do etanol começa a ser resolvido com o enfrentamento de seus problemas estruturais que reduziram a competitividade do produto. Deve-se buscar condições para um novo ciclo sustentado de crescimento da indústria.


Pode-se citar algumas medidas que exigem coragem e esforço político: adequar impostos federais e estaduais, reduzindo alíquotas para melhorar a competitividade do etanol frente à gasolina; maiores investimentos em pesquisas em prol de eficiência energética e ambiental dos veículos flex; forte incentivo à geração de etanol celulósico, via resíduos agrícolas e florestais da biomassa; melhoria de logística e armazenagem; compromissos de longo prazo de toda a cadeia produtiva com a oferta e a demanda; melhoria da infraestrutura e dos sistemas de abastecimento.


A disparidade entre oferta e demanda de etanol está gerando distorções no mercado. A cada ano os preços estão se posicionando em patamares mais elevados. Para o consumidor brasileiro, portanto, as notícias não são alvissareiras. Pelo menos por mais três anos a oferta de etanol barato está descartada e seu futuro, outrora promissor, está novamente evaporando-se. O sonho de país do futuro parece nunca chegar e isso depende mais que nunca da energia de seu povo.

O autor do texto acima é Rodnei Vecchia:Graduação e especialização em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas - FGV - SP, mestre em Liderança, doutorando em Economia, professor universitário de gestão, planejamento e economia ambiental, consultor de empresas, colunista e empresário do ramo de energia. Autor do livro "O Meio Ambiente e as Energias Renováveis", Editora Manole, 2010.

terça-feira, 9 de julho de 2013

10 de Julho de 1856 nascia Nikola Tesla:Um gênio da engenharia mecânica e eletrotécnica!















Veja vídeos fantásticos baseados no trabalho de Nikola Tesla:


Aprender Através de Experimentos(Descarga em um gás)

http://www.youtube.com/watch?v=SkmQbSt3Z18


Aprender Através de Experimentos(Bobina de Tesla)


http://www.youtube.com/watch?v=00zxRY751J0


Aprender Através de Experimentos(Motor Elétrico)

http://www.youtube.com/watch?v=QEJRNtvx-6s

Twin Musical Tesla Coils playing Mario Bros

http://www.youtube.com/watch?v=B1O2jcfOylU

Motor elétrico de indução

http://www.youtube.com/watch?v=uVNehiUl4lY

Para explicações  destes experimentos consulte o livro abaixo:



Veja mais detalhes do livro no link : http://bit.ly/15rSJfi

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Aprender Através de Experimentos(Motor Elétrico):Explique o que ocorre?





Motor Elétrico:Consiste de um par de ímãs permanentes externos e dois solenoides,através dos quais uma corrente é enviada,para o interior.

Veja o motor em funcionamento no vídeo Aprender Através de Experimentos(Motor Elétrico):Explique o que ocorre? 

http://www.youtube.com/watch?v=QEJRNtvx-6s

Assunto discutido na pagina 261 do livro abaixo:




Veja mais detalhes do livro no link : http://bit.ly/15rSJfi

domingo, 7 de julho de 2013

Como encontrar as crianças com talento para a ciência como é o Neymar para o futebol?

Garoto de 16 anos cursa ensino médio e mestrado em matemática.Daniel Rocha pode pegar diploma só depois de concluir graduação.Filho de professor, jovem mora no Rio de Janeiro e estuda no Impa.Veja a matéria no link abaixo:


http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/07/garoto-de-16-anos-cursa-ensino-medio-e-mestrado-em-matematica.html 

 

Como o Daniel devemos ter milhares de meninos precisando ter uma oportunidade de uma educação de qualidade para mostrar seu talento e contribuir com o Brasil que todos almejamos.Abaixo segue texto escrito pelo Prof.Leandro R.Tessler que relata sua visita a uma escola pública na Inglaterra e traça um paralelo muito interessante entre o futebol e como podemos descobrir talentos para a ciência.


Favoráveis ou contrários à realização da Copa das Confederações, temos todos assistido maravilhados a performance do Neymar e também de outros jogadores talentosos na seleção brasileira. Maravilhados e um pouco enciumados, pelo menos a parte da população do sexo masculino. Por mais satisfeitos com a vida que estejamos, temos uma justificada inveja da genialidade dele no campo. E ninguém pode argumentar que não está no lugar dele por falta de oportunidade. O segredo do sucesso do Brasil no futebol está talvez num dos mais eficientes sistemas de caça a talentos do mundo. Todos nós que não seguimos a carreira futebolística só podemos atribuir isso a um único fator: falta de talento. Jamais falta de oportunidade. Qualquer menino (hoje em dia também menina) minimamente talentoso é logo reconhecido pelo sistema e recrutado para aprimorar sua habilidade através de treinamento adequado.

Quando minhas filhas ainda estavam em idade escolar nós passávamos todo dia de carro por uma escola pública que ficava a 3 quadras de onde morávamos, a caminho da escola particular onde elas estudavam. Eu via as crianças chegando a pé de todos os lados, com um colorido muito mais vibrante do que elas poderiam ter acesso na sua escola, que era frequentada por filhos de profissionais de nível universitário e professores. Famílias não muito diversas da minha. Eu me perguntava por que elas precisavam frequentar uma escola (bem) paga, muito mais longe e menos diversa.

Estive recentemente em Londres e um dos pontos altos da programação para mim foi a visita à Stockwell Primary School, uma escola pública em um bairro pobre londrino. No almoço (excelente, com frutas e sorvete na sobremesa) adorei conversar com Chanel, menininha linda de uns 8 anos, filha de imigrantes jamaicanos que achava que falamos espanhol no Brasil. Algumas coisas me chamaram a atenção já na chegada: a absoluta disciplina das crianças, que se deslocam dentro da escola sempre em grupo e em filas organizadas, o carinho e respeito com que tratam os professores, o estúdio para atividades musicais. Depois do almoço fomos brindados por um grupo de uns 15 instrumentistas e cantores interpretando Billy Jean com o professor na bateria num arranjo incluindo diálogos entre trompetes e flautas-doces. Havia também um espaço para atividades artísticas/lúdicas onde vários grupos trabalhavam ao mesmo tempo lado a lado.



Conversando com dirigentes aprendemos fatos surpreendentes: naquela escola há crianças que falam em casa uma de 37 línguas diferentes. Seguem religiões diferentes (os véus islâmicos em meninas de 10 anos não deixam de chamar a atenção), têm cores diferentes (foi difícil convencer uma filha de chineses que minha colega brasileira de origem japonesa era brasileira), caras diferentes, poderes aquisitivos diferentes e recebem a mesma educação de qualidade. Não existe o conceito de reprovação: apesar de a relação entre professores e estudantes ser claramente de poder nenhum estudante vive sob a ameaça de não continuar seus estudos com seu grupo de amigos e colegas no ano seguinte porque falhou em algum teste ou porque algum professor assim decidiu.

Se no meio dessas crianças estiver alguém talentoso para a ciência como o Neymar é para o futebol não tenho a menor dúvida que ele ou ela terá todas as oportunidades que precisa para ser educado adequadamente e seguir uma carreira científica. Os demais terão tido o privilégio de terem sido educados em um ambiente de diversidade onde terão aprendido cidadania através do afeto e da convivência com pessoas muito diferentes do que encontram em casa ou entre seu grupo social imediato.

Estamos errando historicamente no Brasil por não darmos a devida atenção à educação desde os primeiros anos de vida e por acharmos que mantendo um apartheid educacional temos alguma chance de avançar como nação. Além do óbvio contraste na infraestrutura, a principal razão que me levou a investir uma parte importante do que ganho na educação privada das minhas filhas foi o preparo e atitude dos professores. Sem pagar salários competitivos e prestigiar os bons profissionais é difícil atrair professores de qualidade. Na Coréia do Sul o salário inicial de um professor primário é maior que o de um professor universitário. Adivinhe se lá licenciaturas são carreiras concorridas. Nos processos seletivos das universidades brasileiras estão entre os cursos menos concorridos.

Ao contrário dos países latinos, na Inglaterra as escolas primárias públicas são autônomas para atrair os melhores professores (como fazem as particulares por aqui). Como consequência eles têm um dos melhores e mais inclusivos sistemas de ensino fundamental do mundo. Na escola em que estivemos todos os professores têm pelo menos meio dia (alguns têm um dia inteiro) para se atualizarem e aprimorarem continuamente.

Infraestrutura conta. Ter instalações adequadas, salas bem arrumadas e limpas, banheiros em boas condições. Não se pode desprezar uma boa biblioteca, instrumentos musicais em um estúdio como na foto, instalações esportivas. A comida oferecida aos estudantes (todos ficam na escola em tempo integral) precisa ser de boa qualidade.

Quando se tentou implantar progressão continuada por nossas bandas esqueceram de preparar os professores para isso. O resultado foi um fracasso a ponto de políticos terem usado como propaganda eleitoral a volta à reprovação indiscriminada, como se assim a qualidade da educação aumentasse.

Não tem cota no ensino superior capaz de recuperar completamente talentos perdidos por não terem tido uma formação básica adequada. Não dá para tentar fazer um jogador talentoso que ficou muitos anos sem jogar e não foi treinado brilhar na seleção. Simplesmente não funciona. Não é por acaso que a performance da educação brasileira no PISA, a copa do mundo da educação básica, é tão ruim.

O Brasil está nas ruas buscando mudanças, mesmo sem saber muito claramente quais. Meu palpite por um país melhor: Educação básica pública de qualidade melhor que o sistema privado tem a oferecer. Essa é a situação do ensino superior. Porque não podemos fazer melhor no ensino básico?

Não podemos nos dar ao luxo de deixar escapar o Neymar da biologia, do meio ambiente, da física, da matemática, da engenharia, da filosofia, da arte, da literatura...